No início da tarde do dia 25 de março, um grave evento ocorrido na REDUC expôs, mais uma vez, a política danosa de redução de efetivo e da precarização das condições de trabalho e operacionais impostas na refinaria. Informes preliminares obtidos pela direção do Sindipetro Caxias são preocupantes e caminham na direção da urgente recomposição de efetivo e na necessidade de uma reorganização das estruturas de Saúde e Segurança da REDUC, conforme pode ser constatado a seguir
A ocorrência teria se iniciado com um vazamento em linha de hidrogênio seguido de incêndio que danificou cabeamento de instrumentação e parada total por falta de ar de instrumento. Foram detectadas diversas falhas nos sistemas de parada segura de várias unidades, sendo necessária intervenção direta da operação. Decorrente destas falhas, ocorreram danos em equipamentos, além de diversas condições inseguras de trabalho as quais foram submetidas nossos operadores, incluindo um incidente de alto potencial com a projeção de estilhaços de uma janela de inspeção (local frequentemente acessado pela operação) de um formo que teve uma explosão em seu interior. Esta explosão gerou um dano ambiental, patrimonial e emocional a pessoas no entorno por exposição à fumaça e risco elevado de propagação do vazamento e incêndio.
Sem o ar de instrumento, válvulas importantes não assumiram sua condição de projeto, impedindo que as unidades convergissem para uma condição segura — algo básico em qualquer sistema industrial que lide com substâncias inflamáveis e de alto risco. O sistema de rádio parou de funcionar por vários momentos, ocorrendo falta de comunicação durante a emergência.
Ainda, áreas tiveram de receber massivos reforços operacionais, chegando a ser solicitado o dobro do efetivo estabelecido pelo O&M, além de trabalhadores ainda em treinamento ou com pouca experiência, que tiveram de atuar. CTO, supervisores, OpMan e até técnicos trabalhando em outras gerências de apoio foram convocados para auxiliar na emergência, o que não seria possível caso a mesma se desse fora do horário administrativo.
O episódio evidencia um problema estrutural: os sistemas não estão preparados para responder adequadamente a emergências reais, tanto pela segurança dos equipamentos, quanto pelo efetivo operacional, dado que a condução da emergência foi diretamente impactada pela ausência ou ineficiência de tecnologia e baixo número de trabalhadores para atuar nesta situação.
O episódio reforça as críticas históricas ao modelo de dimensionamento de equipe operacional (O&M) e de apoio (Manutenção, SMS, Administrativo) e ao sucateamento imposto durante os governos Temer e Bolsonaro e que ainda não foi superado na atual gestão da Petrobrás: decisões que ignoram cenários críticos graves e interpostos, o que é característica básica da atividade na indústria do petróleo; imposição de uma lógica de enxugamento de efetivo e não da operação segura; precarização da manutenção, mesmo que de sistemas críticos; incompatibilização das condições de trabalho com os objetivos da empresa, não investindo o suficiente em projetos necessários para as nossas atividades (exposição a perigos químicos, físicos, ergonômicos e demais ditos riscos, soluções de obsolescência, modernização de plantas, investimento em soluções de segurança).
O conjunto de fatores observados — vazamentos, explosões, falhas de sistema e sobrecarga de trabalhadores — configura um cenário típico de acidente industrial de grande magnitude em potencial. A situação só não evoluiu para consequências mais graves graças à atuação direta e ao esforço de trabalhadores/as que, mesmo em condições adversas, conseguiram conter a emergência.
A gestão Magda segue uma lógica tecnocrática de maximização de lucros à custa da precarização com efetivo reduzido e terceirização numa locomotiva que não inclui a categoria petroleira. Os investimentos necessários são incompatíveis com os anseios da Cia e esta conta não pode ser fechada com a sangria de petroleiros e petroleiras. Diante da gravidade do ocorrido, é fundamental:
- Reposição imediata do efetivo operacional e demais atividades da Cia
- Fim do modelo O&M e uma nova metodologia de efetivo
- Implementação de dimensionamento baseado na realidade operacional e ergonômica
- Investimentos em manutenção e sistemas de segurança
- Apuração rigorosa das falhas ocorridas
O que aconteceu na REDUC não é um caso isolado — é consequência direta de uma política que prioriza redução de custos em detrimento da segurança e que ainda não foi revista por completo. A gestão bolsonarista de sucateamento e entrega de lucro e patrimônio a quem nada produz se não mais desigualdade e precariedade não pode continuar. Chega de descaso!
A vida de trabalhadores/as não pode ser tratada como variável de ajuste. Exigimos que a Petrobrás tenha uma gestão que respeite quem produz e não composta por parasitas tecnocráticos que a gerenciam em nome do acionista e não da sociedade.
DIREÇÃO SINDIPETRO CAXIAS | 27/03/2026
