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Tragédia em Volta Redonda expõe riscos e reacende debate sobre privatização e segurança

Na madrugada deste domingo, 23 de fevereiro de 2026, um grave acidente ocorreu em uma base da Vibra Energia, em Volta Redonda, no Sul Fluminense. A explosão de um tanque de combustível durante um serviço de manutenção resultou na morte de dois trabalhadores. Um terceiro funcionário foi socorrido em estado grave. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil atuaram na ocorrência, e moradores do entorno chegaram a ser orientados a deixar suas casas por precaução. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) determinou a interdição da unidade até a conclusão das apurações técnicas.

Essa tragédia não pode ser analisada de forma isolada. A Vibra Energia é resultado direto do processo de privatização da antiga BR Distribuidora, braço histórico da Petrobras responsável pela distribuição de combustíveis em todo o país. Criada em 1971, a BR Distribuidora sempre integrou a estrutura estratégica da Petrobras, garantindo capilaridade nacional no abastecimento sob controle estatal.

O processo de desestatização teve início em 2019, quando a Petrobras vendeu parte de sua participação acionária, e foi concluído em 2021 com a alienação do restante das ações. A partir daí, a empresa deixou de ter controle estatal e passou a operar como companhia privada de capital aberto, adotando o nome Vibra Energia.

A privatização foi apresentada como sinônimo de modernização e eficiência. No entanto, o que se observa em diversos casos é que a lógica de mercado tende a priorizar redução de custos e maximização de lucros. Em atividades de alto risco, como a armazenagem e distribuição de combustíveis, qualquer flexibilização em protocolos de segurança pode custar vidas.

O episódio de Volta Redonda levanta uma questão que precisa ser enfrentada com seriedade. Estamos seguros com dezenas de bases de combustíveis espalhadas pelo país sob gestão privada? As normas de segurança estão sendo cumpridas com o rigor necessário? Há investimento suficiente em manutenção, treinamento e prevenção de acidentes?

A morte desses dois trabalhadores em Volta Redonda não pode se tornar apenas mais uma estatística. Cada acidente fatal revela falhas estruturais que precisam ser corrigidas. A privatização de ativos estratégicos da Petrobras transformou profundamente o setor de distribuição de combustíveis. A sociedade precisa avaliar se esse modelo tem garantido segurança compatível com o grau de risco envolvido.

Mais do que lamentar, é necessário cobrar responsabilidades, exigir investigação profunda e reafirmar que nenhuma meta financeira pode valer mais do que uma vida.

SINDIPETRO CAXIAS | 23/02/2026

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