31 de janeiro: 8 anos do acidente que nos tirou Cabral

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31 de janeiro: 8 anos do acidente que nos tirou Cabral

Há 8 anos que o dia 31 de janeiro não passa desapercebido na REDUC. Foi nesta data, em 2016, que um acidente fatal tirou de nossa convivência o companheiro Luiz Cabral. Para os que não estavam na REDUC à época, o acidente foi um marco para nossa categoria, de sofrimento e de luta.

Cabral faleceu ao cair dentro de um tanque com óleo a uma temperatura de 75 graus enquanto fazia uma medição de rotina, demorando dois dias para que se corpo fosse retirado do tanque.
Nos lembramos também do descaso criminoso da direção da Petrobrás com nosso companheiro e nossa saúde e segurança. Reafirmando a lógica do lucro a qualquer custo, a assessoria jurídica da Petrobrás tentou responsabilizar o trabalhador por sua própria morte.

A empresa chegou a afirmar que desconhecia o que Cabral fazia no teto do tanque, tentando desqualificar um operador reconhecidamente experiente, que era referência em Transferência e Estocagem.

Somente após dois anos de torturante batalha judicial, em maio de 2018, a Justiça – em 1ª instância – responsabilizou a companhia pela morte de Cabral. Para a sentença, a juíza utilizou a investigação realizada pela CIPA sobre o evento. Em seu fundamento apareceram grifados fatores de risco como a corrosão presente no teto do tanque e outras falhas de segurança:
“O acúmulo de recomendações de inspeção sem atendimento estava colocando em risco não apenas o TQ-7510, como os demais tanques da REDUC” – grifei); (iv) falha de monitoramento da corrosão – atraso na execução da inspeção (…) as provas colhidas nos autos demonstram, inequivocamente, a responsabilidade da ré pelo acidente que causou a morte do genitor do autor, revelando o descumprimento de normas de segurança essenciais na prevenção do evento danoso”.

Derrotamos o IARI como meta da PLR
A Petrobrás tentou no recente debate de PLR 2023, atrelar o IARI (Índice de Atendimento das Recomendações de Inspeções) como meta da PLR. Esse índice impacta diretamente a segurança das unidades industriais e são de responsabilidade da manutenção e operação. As recomendações da inspeção quando são atendidas aumentam a segurança das unidades.

As recomendações da inspeção de equipamentos, emitidas por profissionais habilitados (Engenheiros) e inspetores de equipamentos, são fundamentais para a segurança das unidades. Atrelar o IARI à meta de PLR, que não é um indicador de produtividade, iria fazer com que esse indicador pudesse ser manipulado e com o risco de impactar as condições de segurança das unidades industriais. Felizmente o Sindipetro Caxias alertou as federações a respeito desta pegadinha, e conseguimos impedir este absurdo com nossa luta.

Recordar para não se repetir
Manter viva a memória de Cabral, e de todos aqueles que perderam suas vidas enquanto dedicavam sua vida à Petrobrás, não é só uma forma de homenagem, é também um protesto contra a insegurança no local de trabalho. De olho apenas em redução de custos para favorecer os acionistas estrangeiros, as últimas direções da Petrobrás vêm assumindo os riscos por novos e mais graves acidentes, como vimos recentemente com a morte do nosso companheiro José Arnaldo e diversos outros acidentes nos últimos anos que, felizmente, não foram piores.

Aqueles que hoje dirigem a empresa assumem a responsabilidade por novas tragédias ao implantar uma redução generalizada do quadro mínimo operacional de diversas unidades, com corte profundo de verbas para manutenção preventiva, e também ao impor o sistema de consequências, que joga sobre as costas do trabalhador a culpa por todo e qualquer acidente. E se hoje a situação do trabalhador próprio é crítica, devemos lembrar que aos terceirizados a realidade se apresenta sempre muito mais dura e cruel. São eles as principais vítimas de assédio e acidentes de trabalho.
A luta desenvolvida pela categoria petroleira no campo institucional e nas portas de fábrica tem sido fundamental para que eventos dessa natureza não aconteçam na Petrobrás. A nova gestão precisa mudar radicalmente o trato com saúde e segurança em nossa refinaria e em todo o Sistema Petrobrás, provando que é oposta à gestão criminosa do governo anterior. O Sindipetro Caxias seguirá, por sua vez, fortalecendo a CIPA como uma ferramenta do trabalhador na defesa de sua segurança e saúde, inclusive mental.

Hoje – e todos os dias – cabe a nós a reflexão, a responsabilidade e a lembrança do nosso querido companheiro.

Cabral, presente!