O Sindipetro Caxias enviou novo ofício (XX/2026) à gestão da REDUC e ao RH da Petrobras cobrando esclarecimentos e soluções urgentes sobre novas diretrizes do Gerenciamento de Desempenho (GD) divulgadas para trabalhadores da refinaria.
O Sindicato recebeu relatos de trabalhadores que tiveram acesso, através da ferramenta TEAMS, a orientações que vinculam a avaliação funcional a critérios considerados discriminatórios, subjetivos e potencialmente abusivos, com impactos diretos sobre avanço de nível no plano de cargos e pagamento do PRD.
Entre os pontos mais graves denunciados estão critérios que indicam impacto negativo no GD em casos de afastamento médico e liberação sindical.
Para o Sindicato, a medida pode estimular o presenteísmo — quando trabalhadores deixam de se afastar mesmo adoecidos por medo de prejuízos financeiros e funcionais — além de representar possível prática antissindical ao associar a atividade sindical a penalizações no processo avaliativo.
O documento também estabelece uma série de exigências relacionadas a treinamentos, ciência de comunicados, rotinas operacionais e indicadores administrativos que podem gerar perda de pontuação, inclusive em situações decorrentes de falhas sistêmicas e problemas de registro nas plataformas corporativas.
Segundo o Sindipetro Caxias, as novas orientações não são um fato isolado. Nos últimos meses, o Sindicato já vinha recebendo denúncias de trabalhadores sobre redução generalizada de notas de GD, utilização de critérios subjetivos, avaliações realizadas sem acompanhamento direto das atividades e impactos financeiros severos relacionados ao PRD e à progressão funcional.
Relatos encaminhados ao Sindicato apontam ainda para forte percepção entre os trabalhadores de que o processo de GD estaria sendo utilizado como mecanismo de contenção de gastos com remuneração variável, mediante rebaixamento de avaliações e ampliação de critérios subjetivos.
O Sindicato também alerta para o risco de agravamento da sobrecarga operacional e deterioração das condições de trabalho, uma vez que as metas e exigências apresentadas desconsideram problemas já denunciados de efetivo reduzido e acúmulo de funções em diversos setores da refinaria.
No ofício encaminhado à empresa, o Sindipetro Caxias cobra:
- esclarecimentos sobre a formalização e aprovação das novas diretrizes;
- transparência nos critérios utilizados;
- garantia de não penalização de trabalhadores afastados por motivo de saúde;
- garantia de não penalização de dirigentes e liberados sindicais;
- mecanismos efetivos de revisão das avaliações;
- suspensão de impactos financeiros enquanto houver contestação das notas.
O Sindicato também solicitou reunião urgente com a gestão da REDUC e o RH da Petrobras para tratar do tema.
Além disso, a entidade informa que seguirá reunindo documentos, relatos e evidências sobre o caso e poderá encaminhar denúncias aos órgãos competentes, incluindo o Ministério Público do Trabalho, caso sejam confirmadas práticas discriminatórias, antissindicais ou violações aos direitos dos trabalhadores.
“O que está em discussão não é apenas um modelo de avaliação. Estamos falando de um processo que afeta remuneração, progressão profissional, saúde mental, condições de trabalho e liberdade de organização sindical”, destaca o Sindicato.
SINDIPETRO CAXIAS | 14/05/2026
