O Sindipetro Caxias se reuniu nesta quarta-feira (29/07) com representantes da Transpetro para cobrar respostas às reivindicações dos trabalhadores e denunciar problemas que continuam impactando diretamente a segurança, a saúde e as condições de trabalho nas unidades.
A reunião deu continuidade a uma série de pautas apresentadas pelo Sindicato, envolvendo efetivo, horas extras, diárias, adicionais, transporte, EPIs, ergonomia, exposição ao benzeno, treinamentos e condições de trabalho nas áreas operacionais.
Para o Sindipetro Caxias, não basta reconhecer os problemas ou apresentar estudos e encaminhamentos: é preciso resolver. Segurança, saúde e direitos dos trabalhadores não podem ficar condicionados à burocracia, à falta de planejamento ou à redução de custos.
SUBSTITUIÇÃO DAS PICAPES: TREINAMENTO E SEGURANÇA EM PRIMEIRO LUGAR
O Sindicato foi incisivo ao defender a necessidade de treinamento específico para a condução de veículos tracionados (4×4) em estradas não pavimentadas.
O Sindipetro Caxias reforçou que esse treinamento deve ser realizado por empresa especializada , e não repassado informalmente por outros trabalhadores da própria empresa.
A entidade também relembrou os acidentes ocorridos no Sistema Petrobras relacionados ao trânsito de veículos e destacou que prevenção e capacitação são fundamentais para evitar novos acidentes.
Em resposta, a empresa informou que não obrigará nenhum trabalhador a conduzir veículos inadequados em estradas não pavimentadas e que disponibilizará picapes para esses deslocamentos.
O Sindipetro Caxias seguirá acompanhando a implementação da medida e cobrando que a segurança seja efetivamente garantida na rotina de trabalho.
Não aceitaremos que a redução de custos se sobreponha à segurança dos trabalhadores.
INSPEÇÃO DE EQUIPAMENTOS: EFETIVO E TREINAMENTO SÃO QUESTÕES DE SEGURANÇA
A falta de efetivo na Inspeção de Equipamentos também esteve entre os principais pontos discutidos.
Segundo a empresa, houve acréscimo de cinco técnicos e um engenheiro, totalizando um efetivo superior ao previsto no SPIE. O Sindicato continuará acompanhando a situação, especialmente diante da sobrecarga relatada pelos trabalhadores e das restrições existentes na equipe.
Sobre os treinamentos exigidos pelo SPIE, a empresa informou que a questão foi incorporada ao planejamento após auditorias e que deverá haver melhorias na organização e no alinhamento com o RH.
Treinamento obrigatório não pode ser tratado como detalhe administrativo. Quem trabalha com equipamentos e processos de risco precisa estar devidamente capacitado.
O Sindicato também reivindicou a ampliação do trabalho híbrido para atividades em que essa modalidade seja viável. A empresa afirmou que entende essa aplicação principalmente para as atividades administrativas, não estendendo a medida às atividades dos terminais.
EPIs: ÓCULOS DE GRAU NÃO PODEM ESPERAR INDEFINIDAMENTE
O Sindicato voltou a cobrar uma solução para os trabalhadores que necessitam de óculos de grau como EPI.
O Sindipetro Caxias reforçou que os EPIs devem ser fornecidos conforme a Norma Regulamentadora nº 6 (NR-6 ), de forma adequada às necessidades de cada trabalhador, garantindo conforto e ergonomia para a realização das atividades.
Por isso, defendeu que os equipamentos sejam previamente testados pela empresa antes de serem distribuídos aos trabalhadores.
A empresa reconheceu a demora no fornecimento dos óculos de grau, atribuída a dificuldades burocráticas e de contratação, e informou que os Óculos de Sobrepor atualmente disponibilizados atendem aos padrões estabelecidos.
Para o Sindicato, entretanto, os Óculos de Sobrepor não atendem necessariamente a todas as particularidades dos trabalhadores.
EPI não pode ser apenas uma solução burocrática para cumprir uma exigência. Deve proteger efetivamente o trabalhador e permitir que ele exerça sua atividade com segurança, conforto e condições ergonômicas adequadas.
OPERAÇÃO E SALA DE CONTROLE: NÃO PODEMOS NORMALIZAR O RISCO
Na Operação de Turno, o Sindicato questionou a utilização de trabalhadores de outras áreas para compor o efetivo e apontou os impactos da falta de pessoal.
Também solicitou o levantamento de cenários críticos e sobrepostos, considerando a atualização da NR-01, os riscos envolvidos e a necessidade de análises ergonômicas.
Outro ponto grave foi a situação da sala de controle, que passou por reforma sem a instalação de um sistema de pressão positiva para impedir a entrada de vapores durante operações com PIGs nos Scrapers do ORBEL-I.
Trabalhadores já passaram mal. Não é aceitável que uma situação como essa seja tratada como algo secundário.
Após a cobrança do Sindicato, a empresa informou que a questão foi encaminhada à Higiene Ocupacional. Uma visita técnica já foi realizada e serão feitas avaliações para verificar a exposição dos trabalhadores e a necessidade da instalação do sistema de pressão positiva.
O Sindipetro Caxias acompanhará o caso até que sejam adotadas medidas efetivas para eliminar o risco.
VESTIÁRIO FEMININO NO PRÉDIO DO ANTIGO GÁS: O BÁSICO AINDA PRECISA SER COBRADO
O Sindicato voltou a cobrar condições adequadas para as trabalhadoras no prédio do antigo Gás, que atualmente não dispõe de vestiário feminino.
A empresa informou que realizará adequações no espaço, incluindo a implantação do vestiário feminino, além de melhorias na disponibilidade de armários e baias e da mudança do local de armazenamento de produtos de limpeza.
Não deveria ser necessário cobrar repetidamente o básico: trabalhadores e trabalhadoras têm direito a um ambiente digno e adequado para exercer suas funções.
BENZENO: PROTEÇÃO E ACOMPANHAMENTO NÃO PODEM SER NEGOCIADOS
A exposição ao benzeno também esteve entre os temas de maior preocupação.
Com a transferência de atividades relacionadas aos Scrapers para a Gerência TEDUC, o Sindicato questionou a ausência de enquadramento adequado para trabalhadores que passaram a executar atividades anteriormente realizadas por empregados do TECAM, que possuem acompanhamento específico relacionado ao benzeno.
A empresa informou que fará a inclusão dos trabalhadores que atuam na REDUC no mapeamento do PPEOB, garantindo o retorno do acompanhamento semestral pelo programa. Também informou que está sendo realizado um trabalho conjunto com a Higiene Ocupacional e que os dados serão inseridos nos sistemas de controle.
O Sindicato acompanhará esse processo para garantir que nenhum trabalhador fique sem a proteção e o acompanhamento necessários.
ADICIONAL DE DUTOS: TRABALHADOR NÃO PODE ESPERAR INDEFINIDAMENTE
O Sindicato voltou a cobrar o pagamento do Adicional de Dutos e o avanço do grupo de trabalho responsável pelas pendências envolvendo trabalhadores novos, transferidos, DTRM e atividades relacionadas à Faixa de Dutos.
A empresa informou que consolidou as informações e está realizando validações internas. A previsão apresentada é que o Sindicato seja chamado no próximo mês para receber os encaminhamentos e as devolutivas.
O Sindicato espera que a próxima reunião traga uma solução, e não apenas mais uma etapa de análise. Direito não pode ficar preso indefinidamente em validações internas.
DIÁRIAS ACUMULADAS: VALORES DEVIDOS PRECISAM SER PAGOS
O pagamento das diárias acumuladas também voltou a ser cobrado.
A empresa informou que as diárias devem ser lançadas na marcação da viagem ou na prestação de contas para evitar inconsistências e afirmou que os casos pendentes serão tratados.
O Sindipetro Caxias continuará acompanhando os casos individuais até que os valores devidos sejam efetivamente regularizados.
ERGONOMIA: TRABALHO SEGURO TAMBÉM É TRABALHO SEM SOBRECARGA
Também foram discutidas as condições ergonômicas das válvulas, instrumentos e demais equipamentos.
Segundo a empresa, estão sendo iniciadas inspeções de SMS e avaliações ergonômicas, seguindo uma hierarquia para o tratamento dos problemas identificados.
O Sindicato seguirá cobrando para que essas avaliações resultem em mudanças concretas nas condições de trabalho.
DESLOCAMENTOS DE 300 A 400 KM: O LIMITE DO TRABALHADOR NÃO É INFINITO
Outro ponto discutido foi a situação dos técnicos que realizam deslocamentos de 300 a 400 quilômetros por dia, incluindo trajetos para CEB, emissário de Itaipuaçu e Jaconé, muitas vezes saindo diretamente de casa.
A empresa informou que será considerada uma restrição de 12 horas diárias para essas situações, medida que será acompanhada pelo Sindicato.
Não é razoável tratar jornadas e deslocamentos extremos como parte normal da rotina. Cansaço também é fator de risco.
VAZAMENTOS E INTEGRIDADE: PREVENÇÃO PRECISA SAIR DO PAPEL
O Sindicato também cobrou a implementação das recomendações dos grupos de trabalho relacionados aos vazamentos.
A empresa apresentou informações sobre o mapeamento de linhas, critérios de falha, inspeções e elaboração de planos de escavação. Segundo a Transpetro, após a conclusão das avaliações das linhas consideradas críticas, o trabalho deverá avançar para outras linhas enterradas, incluindo aquelas de baixo fluxo, com ações que permitam a inspeção de sua integridade.
O Sindicato continuará cobrando que essas recomendações sejam efetivamente implementadas e que a prevenção aconteça antes de novos acidentes ou vazamentos.
SINDIPETRO CAXIAS: RESPOSTA NÃO É SOLUÇÃO
A reunião trouxe alguns avanços e compromissos, mas diversas questões continuam pendentes.
Em vários pontos, a resposta da empresa foi a realização de estudos, avaliações, orçamentos, validações ou encaminhamentos futuros. O Sindipetro Caxias acompanhará cada um desses processos e cobrará prazos, transparência e resultados concretos.
Resposta não é solução. Estudo não é prevenção. Promessa não é direito garantido.
O Sindicato continuará na linha de frente para cobrar efetivo suficiente, treinamento, EPIs adequados, segurança operacional, proteção contra agentes químicos, condições ergonômicas, respeito aos direitos e condições dignas de trabalho.
A saúde e a segurança dos trabalhadores não podem ser tratadas como custo.
O Sindipetro Caxias cobra, fiscaliza e luta. E enquanto houver problema sem solução, a cobrança continua.
A luta continua!
SINDIPETRO CAXIAS | 30 DE JULHO DE 2026

